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sexta-feira, 22 de julho de 2011

Navalha na carne (Plínio Marcos)


                                                                                   Fonte: www.costanorte.com.br
     Esta encenação dramaturgica da obra de Plínio Marcos revela um murmúrio sincero na vida do subúrbio. Carregado de realismo e drama, se passa no muquifo de uma prostituta, onde seu parceiro estabelece um conflito existencial.
     Ambos discorrem sobre suas vidas, sempre amparados pelos seus próprios valores; carregados do sofrimento e alheios a qualquer moral incomum. Rompem o silêncio numa indignação brutal e extrapolam contra a falência pessoal de cada um.
     Tal peça limitada de conservadorismos, rende quem assiste de fatal engodo, segundo a própria condição da conhecida "boca do lixo" nos arredores santistas do cais; porém podem muito bem representar a mesma alienação na atual cracolândia no centro de São Paulo.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Alto de São Benedito

    
    O passado vem aos dias de hoje carregando marcas que a história não consegue apagar. O brilhantismo da memória, a coragem de heróis, e o martírio de homens que sacrificaram uma vida por amor; ao que escreveu-se na peça,  pela citada redenção de São Benedito.
     A figuração da trupe quilombola de Teatro de Helvécia na Bahia aponta no alto representado, a voz dos remanescentes africanos da história do Santo negro da Igreja Romana. O exemplo de dignidade na trajetória do santo ilustra uma vida devota aos princípios franciscanos.
    
     O cenário, recorte e roteiro são diametrais do discurso de resistência do activismo social negro em favor da liberdade ... Salve e salve!

sábado, 28 de maio de 2011

Grafite no Vale do Anhangabaú

    

     Para o esplendor da arte, a cultura circunavega os mais diferentes e recônditos espaços da sociedade, florescendo entre pobres e ricos, sem escolher classe social, entre o povo e perto de seus olhos.
     É por certo, o caso deste belíssimo grafite de uma fachada lateral n'um edifício no Vale do Anhangabaú no centro da capital de São Paulo no Brasil. O trabalho de extrema perícia, lembra a grandiosidade da vanguarda renascentista italiana das grandes pinturas e murais do passado.
     Com exemplos deste, a pintura, a expressão poética, e a extrema e elevada ousadia, emprestam um rigor de harmonia e visionismo; onde a coragem e a presteza são elementos de criatividade, seguindo ao arquétipo da arte das ruas.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Ponto de vista

    
     Por esta produção cinematografica desafiada pela banalidade do gênero moderno dos filmes de ação em geral, eis uma tentativa bem sucedida do que se pode denominar recortes individuais de um mesmo roteiro, que numa idéia principal fora subdividida a vários ângulos da mesma visão.
     O diretor (Pete Travis) por certo deferiu o prisma central detalhando a cada interpretação uma nova resposta ao epicentro do roteiro. E assim, ao fim de cada quadro, se poderia entender uma nova resposta.
     Por se passar o ideal de uma guerra psicológica entre um grupo ideológico e as grandes nações do mundo, salta a discussão sobre qual ideal realmente valerá a pena, sendo que para ser atingido, a vida vem a se tornar algo descartável e sem nenhum valor.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Escravos desconhecidos

    
      Este documentário produzido na Europa reacende a discussão sobre as questões de raça e colonialismo e coloca como centre de inquirição a sofragada África. A visão incoerente desta produção tenta apontar evidências sobre uma possível conivências do negro no processo escravagista não somente do atlântico, mas outrossim do mundo árabe.
     As circunstâncias culpabilizam o processo de expansão de poder de nações estrangeiras rumo ao continente africano, mais uma tese, segundo qual etnias animistas já desenvolviam o processo escravagista antes do natural senhor e traficante estrangeiro lá chegar.
     O ponto de visão nega a priori as razões pseudo-imperialistas na égide oficial do processo escravagista, dando no documentário, uma atmosfera de revisão criminal a países que financiaram a barbarie escravagista.

sábado, 23 de abril de 2011

Agostino d'Ippona

    

      A regra de se encontrar uma película altruísta é escassa; os dias de Santo Agostinho como bispo no norte da África apontam a sobriedade de um homem moral. E sua moral não é enfraquecida pelas dificuldades do vernáculo (moral).
     Toda sua liberdade institucional é aduzida pelo reflexo de sua sóbrias opiniões, colhidas no calor e frescura de seus estudos. Santo Agostinho valente com seu verbo e terno com seu gesto, pondera a unidade da Igreja de Roma, e revela por sua sensatez a imparcialidade de um chefe de Estado.
    
      Com isso, este filme italiano, traz a luz de uma trajetória cheia de questionamentos, onde a ponderação, é flor que brota entre rochedos e a justiça dos homens nasce primeiro na alma, do quê no coração.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Artur Bispo do Rosário

(Arte digital: Fátima Queiroz)
O encontro da esperança com a consciência é flor que germina; é prado frondoso, para a sabedoria do encanto, a arte de Artur Bispo do Rosário surpreende o seu questionamento maior: a esquizofrenia mental. Talvez sua missão tenha sido imposta por sua aceitação do que ele mesmo denominou missão.

Tal missão, a saber, construir o mundo em miniatura revelou toda a sabedoria e capacidade independente de pensar, mesmo diante da adversidade da reclusão em um sanatório. Eis que supera o entendimento humano, a elevação de traduzir por meio de sua expressão as cores de sua vida, a história de toda a sua fantasia.
(Fonte: margarethf.blogspot.com)
Ao que misturou da religião e da história; seus elementos marcam o encontro do mistério com o arcaico; do moderno com o atemporal. É sua obra de natureza magistral e sua trajetória, o exemplo da superação do destino.
(Foto: Daniel de Andrade Simões)